Lilypie Expecting a baby Ticker

quarta-feira, abril 27, 2005

Uma Decisão Difícil

Cá estou de novo para vos contar mais uma etapa alcançada nesta caminhada que ainda agora começou.

Depois de um fim de semana de interiorização de toda a situação, decidimos que deveríamos recorrer a uma consulta de Infertilidade, antes de qualquer decisão. Não sei se já tinham percebido isso, mas uma das coisas que não tem sido pacífica entre nós, é se iremos recorrer a qualquer tipo de método de reprodução medicamente assistido. Por muito que queiramos ter filhos, há uma série de princípios éticos e religiosos que se nos atravessam e nos turvam o pensamento antes de tomarmos qualquer decisão. Deduzo que a esta altura devem estar todas de boca aberta, espantadas como é que é possivel alguém questionar isso, peço-vos apenas que não julguem sem primeiro reflectir um pouco num ponto de vista que, eventualmente, é diferente da maioria das pessoas.

Em todo o caso, depois de conversarmos bem sobre o assunto, decidimos que vamos, para já, recorrer a um especialista, para que possamos saber mais ao pormenor, o que está ao nosso alcance. Só depois tomaremos uma decisão. A consulta está marcada para o dia 5 de Maio, com o Prof. João Luís Silva Carvalho, no Porto, que aproveito para perguntar se alguém conhece?

sexta-feira, abril 22, 2005

Já estou muito mais leve!!!

Depois de uma semana intensa, com as emoções à flor da pele, escrevo agora bem mais aliviada. Tudo isto porque falei com os meus pais sobre o problema e tive a maior força do mundo, adoro-os!

Tentei arranjar um ambiente mais ou menos condicionado para lhes falar, para que não houvesse tempo para comoções da minha parte nem constrangimentos da parte deles. Assim, escolhi o shopping, é verdade, o shopping! Tínhamos combinado ir fazer umas compritas e, já que o L. não estava connosco (senão seria muito constrangedor para ele, acho eu), jantámos por lá e aproveitei essa altura para lhes falar.

Tinha andado todo o santo dia a pensar na melhor forma de lhes dizer, não queria ser alarmista, mas também não queria deixar de contar toda a verdade ... enfim, não foi fácil arranjar maneira de lhes dizer que temos um problema de infertilidade, sem dizer: temos um problema de infertilidade. Comecei, então, por contar que tínhamos feito uns exames que já mostrara ao médico na véspera e que ele tinha concluído que não podíamos ter filhos assim da forma normal ... vejam só o que fui dizer: não podemos ter filhos da forma normal ... achei que não usar a palavra - INFERTILIDADE -seria menos chocante e, a verdade, é que foi. A minha mãe, mesmo antes de eu explicar o motivo ou o que quer que fosse, disse logo com um ar muito terno: "Ó minha filha, qual é o problema? Eu não vejo problema nenhum nisso, além de que não é obrigatório que todos os casais tenham filhos!" Bem, fiquei nas nuvens, foi como se me saíssem toneladas de peso, ADOREI as palavras da minha mãe que me deram força para combater toda a tristeza que me andava a perturbar! Depois disso entramos em conversas mais pormenorizadas sobre as causas da infertilidade e as formas de a ultrapassar, mas já sem nenhum tipo de stress da minha parte, aliás, como se fosse a coisa mais natural possível. O meu pai ficou um pouco mais abalado (pelo que me pareceu). Não parava de dizer, fazem isto, ou aquilo (referindo-se à IIU, FIV, etc)e se nascerem gémeos não tem mal nenhum, nós ajudamos a criar ... enfim, aqueles comentários à homem, comentários um pouco inconsequentes, mas cheios de boa vontade e de carinho :)

E assim se passou mais uma fase difícil. Desculpem só hoje dar notícias, mas tenho andado a digerir o caso! Bom fim de semana a todos!!!

quarta-feira, abril 20, 2005

Está Confirmada a Infertilidade

O esperado aconteceu. Ontem à noite fui à consulta, sozinha. O médico mal me viu lá abriu um sorriso e disse:"está grávida?". Começou bem. Ao que respondi: "não, não estou, trouxe os exames que nos receitou e receio que não tenha boas notícias para lhe dar". Ele viu primeiro os meus exames hormonais e disse que por ali estava tudo dentro da normalidade. Depois viu o espermograma e mudou logo de feições, ficou enterrado no papel e com os olhos meio brilhantes, acho piada ao lado afectivo deste médico ... antes de me dizer o que quer que seja, pegou no telemóvel e ligou para o colega dele da clínica onde o L. fez o espermograma. Deu-lhe rapidamente os valores por telefone e perguntou o que ele aconselharia neste caso. O outro médico, depois de perguntar a minha idade, disse que, com os dados que tinha, era possível fazermos uma primeira tentativa de inseminação artificial e, caso não resultasse, passaríamos para a fertilização in vitro. Confesso que não disse nada que eu não estivesse à espera, mas também confesso que uma coisa é esperar outra é ter a certeza... fiquei de rastos. Tentei controlar-me para não abrir a torneira logo ali e portei-me bem.

Depois disto, o conselho foi que recorressemos a uma consulta de esterilidade
para que ficassemos a conhecer mais ao pormenor tudo o que está ao nosso alcance. No entanto, caso façamos alguma coisa nesse sentido, provavelmente teremos que optar pela privada, já que as listas de espera no Porto vão em 18 a 24 meses ... Bem, estou muito baralhada com tudo isto e com as ideias muito pouco iluminadas ... talvez mais logo consiga escrever algo de jeito.

Muito obrigada a todas pelo apoio que me dão, acreditem que é muito importante neste momento, aliás, vocês saberão tão bem quanto eu como é importante... Um beijo.

segunda-feira, abril 18, 2005

A Infertilidade Perante os Outros

Em vésperas de consulta, tenho andado a pensar no seguinte: como será que vou ser capaz de lidar com a eventual infertilidade perante os outros? Bem sabemos que, depois do casamento, não tardam os comentários do costume:" Então quando vem o bébé?" "Agora têm que tratar de aumentar a família!" e por aí adiante.

Se até aqui tem sido mais ou menos fácil lidar com estes comentários, à medida que o tempo e a idade vão passando, a coisa torna-se mais difícil. Já começo a imaginar que as pessoas que perguntam este tipo de coisas, fazem-no com o subconsciente a dizer: "coitados, não devem conseguir ter filhos"... bem sei que isto pode não ser mais do que a minha percepção selectiva a funcionar, mas a verdade é que o nosso subconsciente pensa nestas coisas, ainda que de forma pouco explícita, já por isso é que é subconsciente e não o contrário. Começo também a aperceber-me que, à medida que o tempo passa, as pessoas começam a deixar de falar neste assunto, porque será? A resposta para mim é mais uma vez evidente, o subconsciente a dizer: "é melhor não perguntar nada porque com esta idade e casada há dois anos, não deve conseguir engravidar".

Bem, a verdade dos factos é que não consegui, ainda, engravidar. Custe o que custar essa é a verdade. Se até há bem pouco tempo não queria ter consciência desta verdade, a minha forma de reagir agora mudou. Tenho consciência que ainda não conseguimos ter um filhote e, mais do que isso, provavelmente estamos perante uma situação de infertilidade. Parece-me que este é o primeiro passo para conseguirmos ultrapassar a situação.

Quanto ao resto, os tais "outros", ainda não tenho bem a certeza de como vou lidar com isso, principalmente com os meus pais, já que gostava imenso de poder partilhar com eles tudo isto, mas, para os poupar a esta ansiedade, ainda nada lhes disse, nem sequer que fomos fazer os exames! Vou esperar pela consulta de amanhã e assim já tenho informações mais precisas para lhes dar.

quinta-feira, abril 14, 2005

Está decidido, vou mesmo sozinha.

Antes de mais muito obrigada a todas pelos comentários no post anterior.

No fundo, acabei por fazer aquilo que foi, mais ou menos, a vossa opinião generalizada. Primeiro tentei a todo o custo alterar a consulta, mas por azar, as datas possíveis também eram incompatíveis com o L., logo, ficou decidido, vou sozinha no dia 19, senão só teria consulta com datas compatíveis daqui a um mês e, de facto, não tenho capacidade para esperar mais.

Assim sendo, há que ter uma atitude positiva. Claro que era muito importante estarmos os dois e ouvirmos os dois o que o médico tem a dizer mas, por outro lado, se calhar também não será mau de todo eu ir sozinha. Partindo do princípio que o espermograma do maridão tem os valores muito baixos, o facto de ele não estar presente na consulta permitir-me-á esclarecer abertamente todas as dúvidas que tenha, sem a preocupação de magoar o L. Sei bem que não é fácil para ele ultrapassar aquilo que pode ser um sentimento de culpa e, assim, não contribuo para que esse sentimento se evidencie!

Um passo de cada vez e tudo com muita tranquilidade ... apesar de tudo, acho que são os momentos mais difíceis que nos vão fazendo crescer e amadurecer na vida!

terça-feira, abril 12, 2005

Maldita agenda!

Pois é, a consulta é no próximo dia 19 e ontem surgiu um emprevisto ao maridão, não vai estar cá nesse dia!!! O que é que eu faço????

Tenho duas alternativas, eu sei: ou adio a consulta, ou vou sozinha. O problema é que estou há mais de um mês à espera desta consulta e tal é a minha ansiedade que não vou ser capaz de esperar outro tanto...até lá enlouqueço no mínimo... Por outro lado, também não me agrada a ideia de ir sozinha, pricipalmente porque vai ser a consulta da análise dos exames que fizemos e era importante ouvirmos os dois... GRRRRRRRRR Tenho dito.

domingo, abril 10, 2005

Fim de Semana Cultural

Felizmente, ainda se mantém a energia positiva por estes lados, falta pouco mais de uma semana para a consulta e até lá pretendo manter-me ocupada a ver se o tempo passa mais rapidamente.

Hoje fui assistir a um belo concerto de harpa, flauta e canto, meu Deus, que coisa mais linda ... fechei os olhos e parecia que estava numa sessão de relaxamento. Nem todos os dias temos oportunidade de ouvir harpa ao vivo, de facto, é um instrumento com um som belíssimo, apaziguador do espírito e da mente ... assim sendo, digamos que estou quase a levitar e cheia de energias para mais uma semana de trabalho!

sexta-feira, abril 08, 2005

Grande Maridão

Tal como vos tinha dito ontem, ando há duas semanas a lidar com um problema que ainda não sei se o é. Esta mania de sofrer por antecipação e de auto-destruição, por vezes, dá comigo em doida. Valha-nos a capacidade que vou tendo para me auto-analisar e perceber o que está bem em mim e o que está mal, bem como as causas desse mal.

Ontem, finalmente, decidi-me a falar com o maridão sobre o assunto. Talvez estranhem o facto de só agora o fazer, mas hão-de compreender que não será fácil, principalmente quando, à primeira vista, o eventual problema de infertilidade estará mais do lado dele.

Comecei por lhe falar como me tenho sentido nestes últimos tempos reltivamente à minha actividade profissional, sinto-me a estagnar, começo até a pensar que a juventude já lá vai. Depois entro no cerne da questão, o nosso problema de infertelidade. Chego à conclusão que se voltasse a casar, casaria de novo com o L. Como é possível em duas ou três palavras ter-me conseguido transmitir tanta força para continuar em frente, independentemente do que o futuro nos reservará?!?! Ficou preplexo com a quantidade de conhecimentos que eu já tinha sobre estas matérias (não fiz outra coisa nas últimas semanas senão estudar o tema), mas conseguiu convercer-me que devemos dar o tempo ao tempo e, nesta fase, aguardar pela consulta do dia 19. Que mania a minha de sofrer por antecipação! Dizia o L. mais ou menos assim: "Meu amor, neste momento, as minhas energias afectivas e emocionais estão todas concentradas em ti. Não sei se vamos ter filhos ou não, mas eles virão depois e senão vierem, continuarei a concentrar em ti as minhas energias, pois os dois, somos uma família."

Bem, assim sendo, hoje estou outra mulher! Pelo menos até à próxima recaida... :)

quinta-feira, abril 07, 2005

infertilidade ou talvez não

Há cerca de um ano que estamos a tentar ter um filhote. Decidimos recorrer ao médico, até porque já passámos dos 30 e assim tratavamos de adiantar o que quer que fosse. O médico marcou-nos uns exames em Janeiro, confesso que não liguei muito, talvez porque no fundinho sempre achei que não iria ter uma gravidez fácil ... deixámos passar o tempo e só em Março fizemos os exames. os resultados chegaram há cerca de duas semanas, mas ainda não fomos novamente à consulta que está marcada para o próximo dia 19 de Abril. Claro está que não descansamos enquanto não corremos tudo na net para tentar interpretar os resultados, que não foram nada animadores... O espermograma não deixa margem para dúvidas, apenas 5% de espermatozóides normais ... bem, ando há duas semanas a tentar lidar com isto e com tudo o que daqui advém, com a agravante de que sou incapaz de partilhar este assunto com quem quer que seja, o que não facilita. Assim sendo, achei que o blog poderia ser uma forma de dizer tudo o que sinto e, pelo menos, libertar-me deste peso! Quem sabe não acabo por partilhar isto com aquelas mulheres que um dia passaram pelo mesmo... é sempre mais fácil do que fazê-lo com os que nos são próximos.

Nem tudo é melhor a dois!

Ao fim de algum tempo, cheguei à conclusão que gosto mais de blogar sozinha, no anonimato. Sempre que blogo a dois ou dou a conhecer o meu blog, passo a comportar-me nele como faço nos relacionamentos diários: não digo tudo o que penso, não partilho o que é mais íntimo, vivo fechada em mim. Espero, desta forma, conseguir soltar o coração e traduzir tudo isso em palavras ... a ver vamos!
Free Counter
Website Counter